Sobre O Que Convém...

Vem.
Chega mais perto de mim.
Tira a tua roupa, tuas reservas físicas e morais. As minhas eu já tirei.
Baixe a tua guarda e se doa, confia no acaso e pensa que dessa vez sim, que pode ser diferente. Ou se mantenha vestida enquanto não se sentir suficientemente à vontade pra isso. Mas vem, chega mais perto de mim.
Chega mais perto e sem temer, porque o que eu levo aqui escondido é feito de luz e pureza, é lúcido, é pão, e você pode vir e matar a tua fome. Vem sem se preocupar em ter que se defender do improvável, porque o que eu levo aqui dentro é fresco e cristalino, é água, você pode vir, matar a tua sede e submergir. Dê apenas mais dois passos a diante pra ter mais acesso.
Chega mais perto de mim.
E quando chegar agarre as minhas mãos com força, e me olhe nos olhos antes que qualquer outra coisa nos tire a atenção, e faz assim a minha alma estremecer por inteiro, porque por fora eu sou uma fera, mas tenho coração de perdiz. Faça-me perder a minha paz, aquela que eu achei que todas as pessoas tinham menos eu, aquela paz batalhada, suada..., e roube de mim toda a minha auto-suficiência. Que me confundas por dentro, e que me faças perder o sono de madrugada. Leva de mim tudo o que puder. Entra, me saqueia, me devaste, sente-se à mesa e a deixe completamente vazia. Me consuma. E não suma.
Abra as minhas cortinas pra que o sol entre de novo, arranque todas as teias de aranhas do meu teto, mude o sofá de lugar, aparte os moveis e dance no meio dessa sala de estar (como se ela fosse) só tua. No lugar das flores murchas, dentro do jarro de bronze que estava sobre a mesa, coloque girassóis outra vez, perfuma a casa inteira com o teu perfume, pinte tudo com a tua cor predileta.
Chega mais perto, faz impregnar o teu cheiro em mim, escreve o teu nome embaixo da minha janela, vira todos os quadros de ponta cabeça e me descobre nas noites mais frias pra que eu deseje que o teu abraço me aqueça. Deixe o teu rastro pela casa, uma tolha molhada sobre a minha cama, a tua marca na parede do meu quarto e me abrace apertado com esses teus braços claros, outra vez. Pressione o meu peito até que eu não consiga mais saber onde termina o meu coração e onde começa o teu.
Chega mais perto.
Me beija sem pressa, toca meu rosto com a ponta dos teus dedos frios e me desafia, me deixe sem ar. Que sejas tempestade, sejas ventania.
Me diz qualquer coisa que me faça saber-te alimentada.
Qualquer palavra que me faça sentir viva outra vez.


Só não deixe que tudo isso se perda, que vire pó, que vire nada.


Por Dani Cabrera

Comentarios

  1. Mooooça, você se garante demaais óh cara.
    Juuro que amei e que vou vir mais vezes por aqui. *-*'
    Parabéns pela qualidade do texto.
    Beeijo, sucesso. ;**

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  2. lindo , lindo mil vezes lindo.

    Beijos ;D

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  3. lindo , lindo mil vezes lindo.

    Beijos ;D

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  4. AdOOOrei. Esse texto ficou perfeito, íntimo, intenso. O senti tão meu! [desculpa a ousadia de roubá-lo teoricamente pra mim].
    Parabéns!

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  5. Lindo, lindo.
    É a sensação de amar em palavras: que a pessoa faça o que quiser, mas que faça pra gente, na gente.

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  6. Nem sei como comentar...nem sei o que dizer. Fiquei completamente sem palavras!
    Esse texto me tocou de uma maneira que eu nem sei te explicar...
    As tuas palavras me fizeram pensar em tanta coisa...Nossa!
    Quando escrever seu livro...me avise! aushaushua

    Tem texto novo lá no blog, quando tiver um tempinho... :*

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  7. livro urgentemente ein Dani..
    como todos os outros textos, PERFEITO.

    ansiosamente aguardando o proximo ;D

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  8. Sincero, ousado, sexy, poético...enfim, o melhor post que li há tempos! Parabéns!!!

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  9. suspiros,suspiros e mais suspiros ...

    Denise Ribeiro

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  10. Esse texto é seu? encontrei neste site: http://luanecampos.blogspot.com/2009/11/perto.html

    Achei muito bonito mas quem é o autor? podes deixar um recadinho aqui? obrigada

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