jueves, 11 de febrero de 2010

Pra Desafogar

Não sei se descer as escadarias desse edifício e ir sem rumo já que não estás aqui, até que essa grandeza deixe de me sufocar. Não sei se permanecer aqui, tomando assim uma decisão maquiada de autocontrole pra te ligar e frear metade dessa sede que tenho, me limitando a dizer apenas que sinto muito a tua falta, especialmente hoje, misteriosamente mais hoje do que ontem, a ponto de querer descer essas escadarias correndo e sair pelo portal pra não ir a lugar nenhum, também porque no meio desse vilarejo não há nada além de espaços vazios de ti, rumos sem sentidos, mas ir em frente pra me afugentar desse medo bobo que eu às vezes sinto dessa coisa que você plantou em mim e que só faz crescer, crescer, crescer e me consumir, e me consome de uma maneira tão curiosa, porque não consome no sentido de acabar, entende?, consome aumentando como se fosse uma espécie de levedura, amor fermento ou sei lá o que. Eu não pedi um vilarejo sem ti. A capital sem ti não tem a mínima graça. Que se dane arquitetura de dois ou seis séculos atrás, eu não estou nem ai pra pra nada disso agora que eu descobri que a vida é tão breve e que os ponteiros declararam uma guerra secreta contra a nossa chance de viver uma vida legal e sentir essa coisa boa que a gente por muito tempo acreditou que só existia nos filmes ou maqueteada na infinidade do espaço que há entre esses que no dia de San Valentin, vão ofertar chocolates recheados de fel e rosas congeladas às suas respectivas vitimas de abusos sentimentais. Pratos preparados pra saciar qualquer necessidade presente, e depois boa noite se restar, vira pro lado e dorme com um quase muito obrigado entalado na garganta. Faltaria mais! Porque amor não dói a dor da ofensa, e tu me ensinaste isso quando começaste a me amar também. O que dói as vezes é quando o coração aperta de vontade de te engolir inteira, te envolver, uma vontade de nos desmontar e montar tudo de uma forma que sejamos tu e eu uma só coisa entranhada, unida. Falta de ar outra vez. Respiro & relaxo & retomo o controle. Sorrio grande, amplo. Acho que esse deve ser o tesouro que o pessoal anda buscando. Acho que isso deve ser felicidade.


Por Dani Cabrera

jueves, 28 de enero de 2010

Gracias Por Venir

Grita meu nome e me diz “vem”.
Me diz coisas sobre a imensidão dessa cama de noventa, e que não agüentas mais olhar pro céu todas as vezes que ouves um avião passar, pra fantasiar que seria tão bom que ele me estivesse levando para ti, e imaginas teu coração disparar pelos passos corridos até o saguão de Barajas e esperar por alguém que no final não chegou. Enquanto eu aqui fico acordando pela manhã, refazendo teu caminho mentalmente, imaginando a sorte que tem aquele marroquino que te cumprimenta todos os dias ao te ver passar, e como toda a Gran Via e o teatro municipal se tornam mais bonitos quando tu passas diante deles, como se banhassem em cores e recebessem um foco de luz tão forte quanto o farol da Torre de Hércules. É como se tu mudasses os caminhos por onde andas. E eu sei que você vai dizer que é um pouco de exagero meu, e que faço uso poético, mas é que te imagino assim, porque desde o dia em que chegaste a minha escuridão também se encheu de luz. O que estava morto voltou a viver e o meu pessimismo crônico passou a receber injeções de otimismo concentrado.
Eu tenho que confessar que depois que o vento passou sem dó e eu caí do pé, deixei de acreditar nessa coisa de amor, e mesmo sustentando um discurso de que sim, não - eu já não acreditava mais. Nessa época o amor pra mim significava dor, desprezo, um dar sem receber. Pensava que não era coisa pra mim, e não porque eu não pudesse dar, mas porque eu deixei de acreditar que houvesse alguém que eu pudesse amar e que pudesse me amar também. Até que tu chegaste e eu te ouvi dizer pra eu começar a me acostumar com a idéia de ser amada também. Portando-se feito fosse minha recompensa.
Ah, se eu soubesse que quando eu plantava dor era pra colher você!
Diz pra mim que sabes que a minha sede se sacia à tua beira.
Diz que sou tua, só tua e de mais ninguém. Senta e come, porque valeu a pena preparar um banquete mesmo sem saber se tu chegarias ou não. Chegaste. Sacia-te pois.
Eu também não imaginava que era assim tão bom e tão sereno ao mesmo tempo. Eu que passei a quarta parte de um século contemplando a sorte, hoje sinto que ela me contemplou também.
És a resposta que eu tive da vida quando a desafiei sobre se valia à pena seguir acreditando nisso que eu chamava fábula, e que hoje enche o meu peito, como se em mim batessem mil corações.


Por Dani Cabrera


"Me leve com você. Ir pra todo lado só te trouxe até aqui. Vou pra qualquer lugar, sei que você também. Acima da chuva vou decolar. Quero viver sempre em paz sem fim. Acorda, acorda. Vem me ver, desce aqui estou só. E o céu já vai abrir... ".
(Volver, Acima da Chuva)



Prepara um abraço apertado que eu estou chegando! : )

lunes, 18 de enero de 2010

Sorte, Sorte, Sorte

Já me acostumei com a tua voz e o teu riso rouco, o teu beijo, a textura da tua pele na minha e com ver-te sempre sorrindo pra mim quando acordas.
Me acostumei também com teus eventuais azedumes, teus dias tempestuosos, ácidos, dias que acontecem pra qualquer pessoa, por mais encantadora que ela possa ser.
Tenho aprendido sobre alguns dos teus limites, teus métodos, teus gostos e tuas manias, e tenho me apaixonado um pouco mais a cada dia por cada uma delas.
Me acostumei a lembrar do teu rosto toda vez que escuto alguém dizer a palavra Amor... E a sorrir também, mas nem sempre deixo que percebam. Já me acostumei com a tua cabeça apoiada detrás do meu ombro na hora de dormir, com o teu bife mal passado, teu yogurt de baunilha e um cigarro depois. Me acostumei a ser o teu par, tua cúmplice, o teu amor, tu niña, a tua morena. A correr pras estações pra te buscar, a colecionar dezenas de horários de vôos, e ônibus e trens guardados numa caixinha onde tenho guardadas um monte de outras coisas sobre ti.
Me acostumei com tanta coisa, meu bem, mas essa noite vai ser tão difícil dormir sem ti, porque ainda não me acostumei, e na realidade não pretendo me acostumar, com a idéia de ter que estar sempre-sempre me despedindo de ti, sempre de mãos atadas e tendo que te ver voltar pra dura Madrid, e permanecer aqui, levando a vida, esperando pelo dia que possas regressar outra vez.
Tenho que confessar que dói sim, senhores, mas que na verdade doeria muito mais não ter dela todo o amor que tenho. A dor que mata é a dor do desamor. Mas essa não mata, me faz querer viver.
Porque eu sei que eu vou guardada dentro de ti por onde você for, guardada como se fosse uma obra de arte dessas bem valiosas, e tu meu amor, tu aqui vais ficar, a tua marca e o teu espaço na minha cama, teus passos nas escadarias do prédio, o cheiro dos teus cabelos no meu travesseiro, a casa e meu peito cheios, inundados de ti. Submersos em ti e na falta que fazes. Porque quando não estás aqui o frio é de morte. E se antes eu não tinha assim tanta razão pra querer conseguir algo, hoje eu tenho um sonho, e sonho em estar em paz ao teu lado, sem a maldade desses - agora - 600 insuportáveis quilômetros que me detonam toda vez que tenho que voltar pra casa sem ti. Esses terríveis 600 quilômetros que estão me injetando esperança e força pra que no próximo outono os estilhacemos em cacos bem pequenos, e que tudo esteja bem.
Desejo-nos sorte. Deseje-nos sorte também.
E diz pra mim que tu também sonhas com isso e me enche assim de ânimo pra lutar ainda mais pela possibilidade que existe, mas que eu sei que não vai ser tão fácil de conquistar.
Sonho tem peso de sonho, e tudo que é bom, pra ser conseguido precisa ser batalhado, por isso eu não vou parar, não vou desistir.
Diz pra mim que acreditas tanto quanto eu pra que eu siga acreditando também, me diz que vamos conseguir, e que haverá um bom futuro e que ele é nosso.

Vou atrás dele.
Vem comigo?


Por Dani Cabrera


"Estoy cansada de verte y no puedo, cansada de quiero y no debo, cansada de Dios. Y no ves que es terrible amanecer sin huellas de tu piel en mi piel? No me crees es posible que te encuentre cuando duerma". (Lantana, En Un Sueño)

viernes, 8 de enero de 2010

Prosa da Toda Prosa

Eu gosto de dizer que te amo mesmo sabendo que pra ti já não é novidade, e gosto também quando sem ter a mínima dúvida disso tu ainda me perguntas. Eu gosto de saber que me amas do tamanho de um avião, de um transatlântico, do sol visto da metade de caminho e mais um quilômetro, pra não queimar.
Eu gosto de beijar teus olhos, sorrir pra ti sem ter motivo aparente e te ver sorrindo pra mim também sem motivo aparente pra quem vê de fora. Mas eu sei porque sorrimos. E tu também o sabes. Eu gosto de despertar pra te ver dormir, mesmo que tenha muito, mas muito sono: te ver descansar me faz descansar também, me enche de paz, me faz sentir como se o dia tivesse terminado da maneira mais correta que poderia terminar. Eu gosto de estar do teu lado, de andar ao teu lado, e de te abraçar pra nos proteger do frio sem dó dessa cidade que creio que estou aprendendo a gostar mais ainda por saber que guardam marcas dos teus passos debaixo das poeiras dos meses e meses sobrepostos.

Eu me sinto feliz contigo, a mulher mais feliz do mundo quando fechas os teus olhos e a tua voz diz todas as coisas que o teu corpo quer dizer, e que você sabe que eu adoro ouvir. Eu gosto quando sobre mim descansas, te recompões. Te abraço forte pra que sejas completa, beijo a tua testa pra demonstrar todo o meu carinho, te ofereço o meu peito pra que descansasses no teu sono e me sinto radiante assim.
Eu coleciono horas pasmando e olhando os teus olhos grises, ora verdes, outrora azuis e gravo o teu rosto na minha memória porque ainda vivemos dias que temos que aceitar a despedida.
Eu abracei as tuas costas e beijei a tua nuca, eu te passei o cinzeiro e ouvi as tuas historias, teus pontos de vista, tuas conclusões. Eu leio teus livros e as tuas anotações de lápis me parecem mais interessantes do que a própria historia; eu me perco em ti.
Eu me apaixonei por ti, meu bem, e me apaixonei por todo o teu mundo.
Eu finjo pra mim mesma que o tempo passa rápido e trato semanas como quem trata horas só pra não doer, mas se dói, quando te vejo tudo já fica bem outra vez.
Eu vou ao teu encontro ainda com o coração saltando de alegria, as mãos suando e a barriga congelada por dentro, e ao te ver, o resto do mundo perde a toda a importância no mesmo segundo.
Eu estendi tuas roupas ao lado das minhas no varal da minha casa e me senti tão segura, e achei tão bonito isso, mas me calei.
Eu me sinto tranqüila porque o nosso partido não é um coração partido, e a nossa novela não é um dramalhão mexicano, cheio de dores e golpes, de mentiras, de malícias. E eu peço à sorte que os nossos ânimos nos conservem assim.
És a minha sorte, és o meu desejo de ser a melhor pessoa que eu possa ser, e também és pra mim a melhor coisa que tenho. Entraste em mim e curaste cada uma das feridas que de noite vinham transformar meu travesseiro em pedra.
Eu gosto tanto de saber que vivo em ti e tu em mim.
Eu gosto tanto de ti...


Por Dani Cabrera


"No me cansaría de decirte, nunca, que eres tu toda mi fortuna. No me cansaría de adorarte, siempre en esta vida. Haria lo que fuera por tu compañia, siempre, siempre, siempre... A tu lado quiero estar... Si estamos juntos que más dá? Tu y yo es mas que suficiente". (Lantana, Siempre)


PS.: Postagem nova no outro Blog.
Não, não foi desativado! Aí vai o link: O Que Eu Não Disse

Feliz 2010 para todos! Muita força e coragem pra todos nós. ; )

domingo, 27 de diciembre de 2009

Sobre Fisterra, Novos Horizontes e O Amor...

"No fondo do mar,
¿onde están as chaves?
Procurando o ferrollo
e as portas.
-Desde dentro de ti isto non se abre-."

(A fin de Fisterra, Cesar Antonio Molina)

Eles pensaram que tudo terminava ali, mas não.
Eles queriam me empurrar do alto daquele precipício, porque sabem que não sei nadar, e tampouco tenho asas como minha amada Clarice. Mas eu não preciso saber nadar, e também não preciso de asas. Eu quero é mover-me daqui, ainda que seja pra consolidar a minha paz no fundo desse mar gelado. A minha paz nunca morre.
Eles acreditaram que depois do abismo haveria água somente, fins decretados e rochas, acreditavam que seguir o horizonte seria voltar a si mesmo sem conquistar coisa alguma. Eles que vinham do oriente juravam que o fim do trajeto era ali, o fim da vida pra quem decidisse seguir adiante, o fim das terras. Fisterra**.
Pobres são os que só acreditam no que vêem.
(Alguém me ensina a aplicar isso, por favor?).
A questão, meus amigos, é que sempre existiu a possibilidade do inicio de todas as coisas enquanto os nossos olhos se dedicavam a acreditar no fim. Explico-me: é que ironicamente, o inicio de tudo parece dar-se exatamente onde pensamos que tudo termina. E eu sei que é difícil ser tão forte, o medo domina quando temos que submeter-nos aos limites com a responsabilidade de sobreviver. Mas a minha inquietude me fez subir numa caixa de madeira quase podre, abandonada no fim desse beco sem saída, pra olhar o que existe por detrás desse muro tão alto, e com os meus olhos vi que depois do muro existe uma grande avenida que me leva até a cidade vizinha, que tenho a ligeira impressão e digo quase com certeza que se chama “Dura-E-Doce-Madrid”.
Depois do meu “game-over” psicológico, das minhas limitações internas, eu descobri que existe muito mais do que águas e rochas; existe o meu sorriso de satisfação escondido em um pântano irreal, e ele não existe pra ninguém senão pra mim. Talvez seja porque como eles, os de antes, que não conheciam as belezas das Américas, eu também acreditei demais por um momento no fim. Só que eu não havia aprendido ainda, que não conseguir alcançar com os olhos, senhores, não quer dizer que não há nada mais adiante. Um tempo depois, de maneira espantosa descobri isso, como quem descobre uma América, ou as três de uma só vez.
Evidencio-me em Fisterra, evidencio-me no fim das terras.
Evidencio-me no frio que senti quando cheguei no topo da pedra mais próxima do fim - mas sem molhar meus pés no medo que eu senti de ser tragada por aquilo que não era fim, mas o meu próprio começo-, e aqueles braços claros me envolveram e me ensinaram coisas sobre aquecer-se neles. As surpresas que se escondem detrás das portas que decidimos não abrir às vezes permanecem ali, pacientemente, com os braços abertos, cheios de calor pro frio, esperando que um dia qualquer nos enchamos de valentia pra abri-las e encontrá-las – mas às vezes não.
A espera pela nossa salvação é mais larga quando existe o medo de saltar. As minhas portas eu quero abertas porque eu não sei esperar, quero vê-las escancaradas, batendo com o vento que entra pelas janelas da sala, e fazendo um barulho imenso que não vai me deixar dormir essa noite. Nada de fim. O horizonte é meu. E é do meu amor também.
Evidencio-me em Fisterra também, porque precisei ir com ela ao fim do mundo pra que seu coração se apaixonasse por mim. Pra tropeçar e sentar-me naquelas pedras ásperas, e quase chorar de medo por vê-la destemidamente seguindo adiante.

Vertigo.
Abrázame, cariño, no sigas adelante. Siéntate a mi lado y enamórate de mi ahora que somos solo tú y yo, y las aguas, las rocas, y las Américas al horizonte que no se ve.

Em Santiago eu zombei do fim e caminhei sorrindo sem me preocupar com se chegaria ou não, molhada da chuva que não queria parar de cair. Eu cheguei. Encharcada e sorridente cheguei.
Eles diziam que ali tudo terminava, e eu por quase um segundo acreditei que eles tinham razão. Até que daquela boca eu ouvi dizer que algo havia começado ali, inesperadamente pra ambos, afortunadamente pra mim.
Estou agora mesmo, no meio da noite, sentada no caminho que leva ao suposto fim das terras, e não sei se a sorte quer que eu permaneça aqui por muito ou por pouco tempo. Tenho outra vez vontade de mover-me daqui. Creio que já aprendi a lição do ano.
Tenho a minha mente animada, a despeito de tudo o que desejava que eu me portasse de maneira inversa, estou feliz, sim-senhor!, tenho o meu bem ao meu lado e um milhão de sonhos pra realizar. Tenho comigo o impulso dos navegadores que descobriram que depois do fim existia um mundo novo. Tenho hoje olhos treinados pra ver campos de trigos nesse punhado de grãos que levo escondido e que enche o bolso direito da minha calça jeans; e que ando só esperando o momento correto pra lançá-los no caminho de terra e vê-los crescer depois de morrer sob essas mesmas terras, e depois, sobre elas surgir e ser pão enfim.

O que mais pode querer alguém que tem fé e amor?
Alguém me diga, por favor...


Por Dani Cabrera



**Fisterra, ou Finisterre esta situada nos confins do velho continente em um dos pontos extremos da Europa (o extremo mais próximo da América). Durante milhares de anos acreditou-se que era o fim do mundo, finis terrae e que a cada noite o sol se apagava no mar, num lugar de águas e através do qual se chegava numa região de trevas povoada por monstros marinhos. Mas eles ainda não sabiam, que do outro lado da imensidão azul do Atlântico Norte, os esperava o novo mundo.

jueves, 17 de diciembre de 2009

Sobre Ella...

Ella.
Creo que solo la fuerza con que me sale el pronombre “ella” después de haberla conocido, ya delata cuanto todo tiembla por ella dentro de mí. No sé si ella es una hechicera, no lo sé la verdad… A lo mejor sea un ángel disfrazado de gente, y si es así, el nombre que tiene ya la delata. Tampoco lo sé seguro.
No sé si tengo razón cuando digo que he encontrado, - que tuve la bendita suerte! - de haber encontrado exactamente a la persona que el resto de personas sueñan encontrar. No sé si es ella la persona que todos deberían ser, no sé si soy yo quien soñaba con alguien que hubiera dado los pasos que ella tiene dado, la verdad es que no sé nada.
Solo sé que es ELLA. Y que tengo muy claro en mis pensamientos, que solo al decir la palabra “ella”, teniendo en mente que hoy, para mí, ella es La “Ella” de mi vida, ya tengo en mi interior realizado el sueño de toda persona viviente en esta tierra, la poesía en prosa hecha vida real, la impresión de haber sido saludado un día de esos, sin darse cuenta, por la felicidad.

- Es que a tu lado, mi sol, me siento como si me hubiera tocado la lotería.

Te quiero, sí.

Por Dani Cabrera


“Veio até mim. Quem deixou me olhar assim? Não pediu minha permissão... Não pude evitar, tirou meu ar, fiquei sem chão...”
(Céu, Malemolência)


PS.: Oi pessoal! Se por acaso não entenderem muito bem, avisem-me que eu posto uma tradução. Mas tá facinho, não tá?
PD1.: Para ti, cariño mío, 'pa que veas qué bien voy. Estoy evolucionando. : )

miércoles, 2 de diciembre de 2009

Se Você Disser Que Sim...

Tudo em mim quer brindar você.
O teu espaço está reservado só pra ti, na minha cama, no meu peito, entre os meus braços e na minha vida todinha. Eu abri todas as minhas portas pra ti - a minha alegria será te ver entrar por elas.
Tudo em mim quer celebrar você.
Tens-me feito sentir como quem sonha, apesar de o panorama atual não ser dos mais fáceis de se enfrentar: contigo ao meu lado as más notícias deixam de ter tanta importância, e eu me vejo consumida por essa coisa boa que me faz sentir tão feliz. Eu, que descobri num dia desses que a minha paz se esconde na tua voz, quando dizes que sou eu a tua morena, o teu querer, o teu amor.
Tu és o meu amor e eu quero seguir junto a ti.

Se você disser que sim, a gente vai ganhar o mundo, o peso vai diminuir pela metade - tanto o meu quanto o teu - e vai ser mais fácil ser forte como tu deduzes que sou. É que quando penso em ti eu desejo muito que a vida não acabe nunca mais, a solidão vai embora e fica esse ar de flores, esse cheiro de contentamento, e não vejo outra opção além de seguir em frente com valentia e conquistar o mundo quando tudo ameaça transformar-se em nada.
Se você disser que sim, a gente vai se encontrar de verdade, em sonhos, qualquer dia desses que a saudade nos castiga, seja em meu “Cambados”, ou no teu “Arpoador”. Se você acreditar a gente vai ser um dos poucos que tem e que não perde o que tanta gente anda buscando por aí, e a vida assim já não é tão dura, convenhamos.
Se você disser que sim, o verão vai se estender só pra nos ver felizes, e vamos fazer aquela viagem legal - que ainda só existe nos nossos planos -, pra que conheças meu mundo. E o inverno vai ser bom também, aqui ou ali, e os meus amigos assim também serão teus.
Se você disser que sim, vai ser tão bom lutar por mim e por ti, a tua cama já não vai parecer tão grande como parece ser e eu te prometo tentar ser pra ti o cara mais legal que você já conheceu, mesmo reconhecendo que tu sempre serás muito melhor do que eu possa vir a ser pra ti.
Se você disser que sim, eu vou seguir sendo incondicional como desde o princípio, apesar de todos esses ''ses'' que te escrevi. Porque não foi nada fácil o inicio de tudo, quando todo esse querer era ainda uma semente que se impedia a si mesma de cair na terra e germinar, quando tu ainda não me havias reconhecido e éramos só mais alguém entre milhares de outros alguéns. Mas porque era puro o que eu te queria oferecer, resolvi ter paciência, e esperar o teu tempo. Tenho agora na boca um gosto doce de quem foi vencedor. Eu ganho, tu ganhas, ganhamos os dois.

Tudo aqui te espera hoje, com quase a mesma expectativa que eu.
Tento dormir pro tempo passar mais rápido, mas a minha boca disse que não terá paz até que encontre finalmente a tua.
Cada canto dessa casa está agora mesmo chamando o teu nome - nome de anjo disfarçado.
E o que me faz sorrir bonito, assim feito boba, é que eu sei que tu vais chegar, e contigo vem a tranquilidade que eu preciso pra dormir como uma criança que não tem com que se preocupar.

Se você disser que sim, os maus momentos vão ser passado, história pra contar e só.
Tempestade procedida de um dia de sol.
Primavera depois do inverno.
Com força vamos..., contigo eu vou.

Ah, se você disser que sim... ;D


Por Dani Cabrera


"Sim são três letrinhas, todas bonitinhas, fáceis de dizer, ditas por você, nesse teu sim assim...".
(Marisa Monte, Três Letrinhas)



Boa Viaxe, meu ben...

martes, 17 de noviembre de 2009

Sobre Mim...

Pode ser que eu não seja aquilo que sonharam pra ti.
Mas eu sou quem anda sonhando contigo de dia e de noite, acordada e dormindo, desde o dia em que te reconheci. Ando sonhando e desejando muito que essas duas imensas semanas passem bem depressa pra que eu possa sair por essas ruas vestida com brilho nos olhos, o meu melhor sorriso e o casaco que você tanto gosta, toda cheia de mim mesma e de ti, eufórica, a caminho da estação pra te encontrar, enfim.
Pode ser que a minha insistente diplomacia não seja a que se pensava, e talvez o meu sorriso não seja o que esperavam ver pintado ao lado do teu numa foto qualquer, de um desses dias que temos o dom de transformar em dias especiais...
Pode ser que realmente a distância seja um pouco grande pra tanta fome de presença, mas onde for preciso ir pra te encontrar, ali eu estarei, até o dia em que eu chegar pra não mais partir.
Talvez eu não seja mesmo o melhor dos partidos.
Eu não tenho um anel de diamantes pra te presentear, não tenho um chalé em Ibiza, e sei que não é nada disso o que te faz sentir completa.
Mas pede o que quiser como quem pede um sonho e eu sou capaz de conseguir por ti.
Eu sim sou, como dizes, a-f-o-r-t-u-n-a-d-a, e também já não sinto dor, desde que tu chegaste com teus lindos olhos grises pra remontar o que em mim já não tinha forma alguma.
Eu não sou o maior gênio de todos os tempos, e não sou a menina mais bonita da minha rua.
Eu sou alguém que, se jogou nos braços do acaso, e que por sorte, muita sorte, te encontrou no meio de tanta dúvida e improbabilidade. E mesmo sem entender, quero estar ao teu lado, porque é aí onde eu me sinto mais forte, mais feliz, como quem encontrou o seu lugar.
Eu não tenho um castelo e um trono pra te oferecer.
Eu não tenho um carro do ano, também não tenho um cavalo branco.
Mas o que tenho e terei de mais valor já te está entregue.

Meu coração, meu bem,...
É teu, todinho teu.


Por Dani Cabrera


Deve de ser cisma minha, mas a única maneira ainda de imaginar a minha vida é vê-la como um musical dos anos 30. E bem no meio de uma depressão, te ver e ter beleza e fantasia. E hoje em dia, como é que se diz ¨eu te amo¨?

(Vamos Fazer Um Filme, Renato Russo)

miércoles, 4 de noviembre de 2009

Sobre O Que Convém...

Vem.
Chega mais perto de mim.
Tira a tua roupa, tuas reservas físicas e morais. As minhas eu já tirei.
Baixe a tua guarda e se doa, confia no acaso e pensa que dessa vez sim, que pode ser diferente. Ou se mantenha vestida enquanto não se sentir suficientemente à vontade pra isso. Mas vem, chega mais perto de mim.
Chega mais perto e sem temer, porque o que eu levo aqui escondido é feito de luz e pureza, é lúcido, é pão, e você pode vir e matar a tua fome. Vem sem se preocupar em ter que se defender do improvável, porque o que eu levo aqui dentro é fresco e cristalino, é água, você pode vir, matar a tua sede e submergir. Dê apenas mais dois passos a diante pra ter mais acesso.
Chega mais perto de mim.
E quando chegar agarre as minhas mãos com força, e me olhe nos olhos antes que qualquer outra coisa nos tire a atenção, e faz assim a minha alma estremecer por inteiro, porque por fora eu sou uma fera, mas tenho coração de perdiz. Faça-me perder a minha paz, aquela que eu achei que todas as pessoas tinham menos eu, aquela paz batalhada, suada..., e roube de mim toda a minha auto-suficiência. Que me confundas por dentro, e que me faças perder o sono de madrugada. Leva de mim tudo o que puder. Entra, me saqueia, me devaste, sente-se à mesa e a deixe completamente vazia. Me consuma. E não suma.
Abra as minhas cortinas pra que o sol entre de novo, arranque todas as teias de aranhas do meu teto, mude o sofá de lugar, aparte os moveis e dance no meio dessa sala de estar (como se ela fosse) só tua. No lugar das flores murchas, dentro do jarro de bronze que estava sobre a mesa, coloque girassóis outra vez, perfuma a casa inteira com o teu perfume, pinte tudo com a tua cor predileta.
Chega mais perto, faz impregnar o teu cheiro em mim, escreve o teu nome embaixo da minha janela, vira todos os quadros de ponta cabeça e me descobre nas noites mais frias pra que eu deseje que o teu abraço me aqueça. Deixe o teu rastro pela casa, uma tolha molhada sobre a minha cama, a tua marca na parede do meu quarto e me abrace apertado com esses teus braços claros, outra vez. Pressione o meu peito até que eu não consiga mais saber onde termina o meu coração e onde começa o teu.
Chega mais perto.
Me beija sem pressa, toca meu rosto com a ponta dos teus dedos frios e me desafia, me deixe sem ar. Que sejas tempestade, sejas ventania.
Me diz qualquer coisa que me faça saber-te alimentada.
Qualquer palavra que me faça sentir viva outra vez.


Só não deixe que tudo isso se perda, que vire pó, que vire nada.


Por Dani Cabrera

lunes, 26 de octubre de 2009

Sobre Alguém Que Não é Comum...


Era uma vez a menina que não sabia mentir.

E eu gostava de vê-la por detrás da queda d'água, gostava de ver também a queda d'água de dentro dos olhos dela cada vez que ela dizia uma das suas milhões de verdades. A menina que não sabia mentir acreditava num mundo diferente, diferente inclusive de todos os mundos que já imaginei e precisei criar pra poder seguir intacta no meio desse roseiral cheio de beleza que se esconde entre espinhos.
A vida é assim, o que há de melhor sempre se esconde entre as dificuldades. Não se pode evitar a queda que precede o levantar, não há prazer nas viagens mais simples, não há felicidade sem a coragem de enfrentar a possibilidade de ganhar ou perder. Falo dos espinhos do roseiral. Mas não é sobre isso que quero falar. Quero falar-vos sobre a menina que não sabia mentir. Mas preciso recomeçar, sinto que não comecei como deveria.
Era uma vez a menina que não sabia mentir. E eu gostava de vê-la dormir enquanto pensava em toda a inquietude que ela me causava por dentro. A menina que não sabia mentir parecia quase sempre com um grande-pequeno-amigo de Antoine Saint Exupéry, e isso me fazia por vezes ter muito medo de parecer-me no final com uma raposa, mas com fé digo que não. Ela também tinha cabelos como os campos de trigo, e os olhos cheios de uma força que eu finjo não saber de quê. Uma cortina talvez, quem sabe...
Era uma vez a menina que não sabia mentir e uma rosa murcha roubada do canteiro da frente do único bar legal da rua inteira, uma quinta-feira que me fez feliz e eu. Era uma vez meu polegar rasgado, meu coração entregue, e a menina que não sabia mentir. Era uma vez Madrid-tão-grande-tão-duro-e-sem-encanto, a menina que não sabia mentir e eu, céu azul e vento frio, muito frio. Coração quente, muito quente. Satisfeito. Era uma vez eu, que gostava de ir ao lado da menina que não sabia mentir, eu que já havia aprendido a não sentir dor causada pelos extremos, nem extrema mentira, nem extrema verdade, porque isso também pode ferir às vezes. Eu que sempre me interessei pelo não dito, pelo que se esconde detrás das palavras explicadas, pelas verdades preservadas. Era uma vez meus abraços, os abraços dela, te-quiero-mucho e meu interesse de ir a qualquer lugar que me levasse pra mais perto da menina que não sabia mentir.
Era uma vez, e eu não sei o que virá depois disso nessa história... Só sei que quero muito que venha qualquer coisa bonita que nos faça continuar acreditando e remando até a outra extremidade desse rio que pode ser muito raso ou muito fundo, não se sabe ainda. Quero que depois do era-uma-vez exista uma semana bonita em Granada, Barcelona ou Paris, quero saber que houve olhos-nos-olhos sempre e quero que no final esteja escrito que foram-felizes ainda que não seja para-sempre, depois de um tempo a gente entende que isso não é o mais importante.
O importante hoje é ir assim, sabendo que faço parte de um era-uma-vez que tem a possibilidade de me transformar em alguém melhor do que sou, e que ao meu lado está a menina que não sabia mentir.

Por Dani Cabrera

2019

Echarte de menos en una tarde como esta, sabiendo que vendrás – que en un par de horas entrarás por la puerta de nuestra casa. Por aqu...