terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sobre Mim...

Pode ser que eu não seja aquilo que sonharam pra ti.
Mas eu sou quem anda sonhando contigo de dia e de noite, acordada e dormindo, desde o dia em que te reconheci. Ando sonhando e desejando muito que essas duas imensas semanas passem bem depressa pra que eu possa sair por essas ruas vestida com brilho nos olhos, o meu melhor sorriso e o casaco que você tanto gosta, toda cheia de mim mesma e de ti, eufórica, a caminho da estação pra te encontrar, enfim.
Pode ser que a minha insistente diplomacia não seja a que se pensava, e talvez o meu sorriso não seja o que esperavam ver pintado ao lado do teu numa foto qualquer, de um desses dias que temos o dom de transformar em dias especiais...
Pode ser que realmente a distância seja um pouco grande pra tanta fome de presença, mas onde for preciso ir pra te encontrar, ali eu estarei, até o dia em que eu chegar pra não mais partir.
Talvez eu não seja mesmo o melhor dos partidos.
Eu não tenho um anel de diamantes pra te presentear, não tenho um chalé em Ibiza, e sei que não é nada disso o que te faz sentir completa.
Mas pede o que quiser como quem pede um sonho e eu sou capaz de conseguir por ti.
Eu sim sou, como dizes, a-f-o-r-t-u-n-a-d-a, e também já não sinto dor, desde que tu chegaste com teus lindos olhos grises pra remontar o que em mim já não tinha forma alguma.
Eu não sou o maior gênio de todos os tempos, e não sou a menina mais bonita da minha rua.
Eu sou alguém que, se jogou nos braços do acaso, e que por sorte, muita sorte, te encontrou no meio de tanta dúvida e improbabilidade. E mesmo sem entender, quero estar ao teu lado, porque é aí onde eu me sinto mais forte, mais feliz, como quem encontrou o seu lugar.
Eu não tenho um castelo e um trono pra te oferecer.
Eu não tenho um carro do ano, também não tenho um cavalo branco.
Mas o que tenho e terei de mais valor já te está entregue.

Meu coração, meu bem,...
É teu, todinho teu.


Por Dani Cabrera


Deve de ser cisma minha, mas a única maneira ainda de imaginar a minha vida é vê-la como um musical dos anos 30. E bem no meio de uma depressão, te ver e ter milhões de fantasias. E hoje em dia, como é que se diz ¨eu te amo¨? (Vamos Fazer Um Filme, Renato Russo)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobre O Que Convém...

Vem.
Chega mais perto de mim.
Tira a tua roupa, tuas reservas físicas e morais. As minhas eu já tirei.
Baixe a tua guarda e se doa, confia no acaso e pensa que dessa vez sim, que pode ser diferente. Ou se mantenha vestida enquanto não se sentir suficientemente à vontade pra isso. Mas vem, chega mais perto de mim.
Chega mais perto e sem temer, porque o que eu levo aqui escondido é feito de luz e pureza, é lúcido, é pão, e você pode vir e matar a tua fome. Vem sem se preocupar em ter que se defender do improvável, porque o que eu levo aqui dentro é fresco e cristalino, é água, você pode vir, matar a tua sede e submergir. Dê apenas mais dois passos a diante pra ter mais acesso.
Chega mais perto de mim.
E quando chegar agarre as minhas mãos com força, e me olhe nos olhos antes que qualquer outra coisa nos tire a atenção, e faz assim a minha alma estremecer por inteiro, porque por fora eu sou uma fera, mas tenho coração de perdiz. Faça-me perder a minha paz, aquela que eu achei que todas as pessoas tinham menos eu, aquela paz batalhada, suada..., e roube de mim toda a minha auto-suficiência. Que me confundas por dentro, e que me faças perder o sono de madrugada. Leva de mim tudo o que puder. Entra, me saqueia, me devaste, sente-se à mesa e a deixe completamente vazia. Me consuma. E não suma.
Abra as minhas cortinas pra que o sol entre de novo, arranque todas as teias de aranhas do meu teto, mude o sofá de lugar, aparte os moveis e dance no meio dessa sala de estar (como se ela fosse) só tua. No lugar das flores murchas, dentro do jarro de bronze que estava sobre a mesa, coloque girassóis outra vez, perfuma a casa inteira com o teu perfume, pinte tudo com a tua cor predileta.
Chega mais perto, faz impregnar o teu cheiro em mim, escreve o teu nome embaixo da minha janela, vira todos os quadros de ponta cabeça e me descobre nas noites mais frias pra que eu deseje que o teu abraço me aqueça. Deixe o teu rastro pela casa, uma tolha molhada sobre a minha cama, a tua marca na parede do meu quarto e me abrace apertado com esses teus braços claros, outra vez. Pressione o meu peito até que eu não consiga mais saber onde termina o meu coração e onde começa o teu.
Chega mais perto.
Me beija sem pressa, toca meu rosto com a ponta dos teus dedos frios e me desafia, me deixe sem ar. Que sejas tempestade, sejas ventania.
Me diz qualquer coisa que me faça saber-te alimentada.
Qualquer palavra que me faça sentir viva outra vez.


Só não deixe que tudo isso se perda, que vire pó, que vire nada.


Por Dani Cabrera

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobre Alguém Que Não é Comum...


Era uma vez a menina que não sabia mentir.

E eu gostava de vê-la por detrás da queda d'água, gostava de ver também a queda d'água de dentro dos olhos dela cada vez que ela dizia uma das suas milhões de verdades. A menina que não sabia mentir acreditava num mundo diferente, diferente inclusive de todos os mundos que já imaginei e precisei criar pra poder seguir intacta no meio desse roseiral cheio de beleza que se esconde entre espinhos.
A vida é assim, o que há de melhor sempre se esconde entre as dificuldades. Não se pode evitar a queda que precede o levantar, não há prazer nas viagens mais simples, não há felicidade sem a coragem de enfrentar a possibilidade de ganhar ou perder. Falo dos espinhos do roseiral. Mas não é sobre isso que quero falar. Quero falar-vos sobre a menina que não sabia mentir. Mas preciso recomeçar, sinto que não comecei como deveria.
Era uma vez a menina que não sabia mentir. E eu gostava de vê-la dormir enquanto pensava em toda a inquietude que ela me causava por dentro. A menina que não sabia mentir parecia quase sempre com um grande-pequeno-amigo de Antoine Saint Exupéry, e isso me fazia por vezes ter muito medo de parecer-me no final com uma raposa, mas com fé digo que não. Ela também tinha cabelos como os campos de trigo, e os olhos cheios de uma força que eu finjo não saber de quê. Uma cortina talvez, quem sabe...
Era uma vez a menina que não sabia mentir e uma rosa murcha roubada do canteiro da frente do único bar legal da rua inteira, uma quinta-feira que me fez feliz e eu. Era uma vez meu polegar rasgado, meu coração entregue, e a menina que não sabia mentir. Era uma vez Madrid-tão-grande-tão-duro-e-sem-encanto, a menina que não sabia mentir e eu, céu azul e vento frio, muito frio. Coração quente, muito quente. Satisfeito. Era uma vez eu, que gostava de ir ao lado da menina que não sabia mentir, eu que já havia aprendido a não sentir dor causada pelos extremos, nem extrema mentira, nem extrema verdade, porque isso também pode ferir às vezes. Eu que sempre me interessei pelo não dito, pelo que se esconde detrás das palavras explicadas, pelas verdades preservadas. Era uma vez meus abraços, os abraços dela, te-quiero-mucho e meu interesse de ir a qualquer lugar que me levasse pra mais perto da menina que não sabia mentir.
Era uma vez, e eu não sei o que virá depois disso nessa história... Só sei que quero muito que venha qualquer coisa bonita que nos faça continuar acreditando e remando até a outra extremidade desse rio que pode ser muito raso ou muito fundo, não se sabe ainda. Quero que depois do era-uma-vez exista uma semana bonita em Granada, Barcelona ou Paris, quero saber que houve olhos-nos-olhos sempre e quero que no final esteja escrito que foram-felizes ainda que não seja para-sempre, depois de um tempo a gente entende que isso não é o mais importante.
O importante hoje é ir assim, sabendo que faço parte de um era-uma-vez que tem a possibilidade de me transformar em alguém melhor do que sou, e que ao meu lado está a menina que não sabia mentir.

Por Dani Cabrera

sábado, 26 de setembro de 2009

De Tudo O Que Segue...


Creio que foi a sua capacidade de me deixar feliz em questão de segundos. Ou o caminhar despreocupado, o piscar de olhos um tanto lento, a voz firme e arrastada como de quem a qualquer momento vai soltar um riso ainda que a situação seja das mais constrangedoras. Foram os olhos cinzas (e doces), que de tão profundos me fazem por vezes tremer; e por como agarras as minhas mãos sem se importar com nada mais em volta no mundo inteiro.
Deve ter sido a maneira em que te apóias no meu braço esquerdo pra dormir o que me tem feito querer-te tanto, mas tanto, a ponto de doer a cada vez que eu tenho que entrar no trem e te deixar do outro lado da janela na plataforma. Ou a maneira como acendes teu cigarro pra descansar depois de, e me ensinar tuas palavras... e aprender as minhas. E rir. É por me fazer confrontar a mim mesma, e perceber que algumas coisas como a vergonha que sinto de tudo não tem a mínima utilidade. É esse teu sorriso rouco que não me deixa te esquecer, e o teu interesse por um par de coisas minhas que eu mesma julgava desinteressante.
Pode ser a tua capacidade de me chamar de linda pela manhã, quando a beleza produzida se esvai por completo e só fica a humanidade, ali exposta. Foram coisas assim e outras coisas que segues sendo o que me faz largar tudo e ir ao teu encontro, eu atravesso o mundo quando a saudade aperta.
São coisas assim que te tem feito tão amável a ponto de “escuecer” o peito só de pensar na possibilidade de não encontrar mais o teu abraço no meio da noite quando sonho que o mundo é só guerra e dor. É a tua força, e como encaras a vida de forma crua; a tua esperança naquilo que é palpável, e como me olhas – e me paralisa a alma - quando ninguém vê. Porque eu amo a verdade que vive no teu olhar, amo a tua coragem e esse punhado de coisas até então impossíveis que eu encontrei quando te conheci. E te digo que não espero nada além de um amanhã tranqüilo e que eu sinta paz toda vez que pensar em ti. Quanto a ti, que sintas paz quando pensares em mim. E sim, quero ser quem você lembra quando tem a certeza de que não estás só.
O que fica é esse gosto doce, e umas gotículas ácidas por medo de que tanta novidade me faça sucumbir detrás de uma cortina de fumaça negra, mas não.
Ficam as lembranças dos dias em desaparecíamos do mundo inteiro e o mundo então era só você e eu, e essa expectativa no meu peito de que as semanas vão passar bem depressa e que dentro de quase um mês estaremos de mãos dadas outra vez, chutando o mundo, rindo da vida e distraindo o tempo.
Fica esse “te quiero” agarrado na minha garganta toda vez que eu lembro de ti. E te digo isso ainda que não me possas ouvir sempre.
Fica a esperança verde, como a tua cor predileta.
Fica tua preferência pelo mosto e a minha pelo “te-olhar-enquanto-matas-a-tua-sede”.
Fica a noite na praia; você no meu quarto, os meus quilos a menos e os teus a mais, estar ao teu lado no dia em que completaste 22...
Fica a noite linda no farol velho da rainha aprisionada de Cambados e teu rosto gravado na minha memória de todas as vezes que eu te olhava pasmando e você não entendia o porquê. Ficam os pares de filmes que vimos e os milhares que planejamos ver e ainda não conseguimos. As músicas que te vi dançar à tua maneira, e a minha timidez quando pedes que eu dance pra ti, fica o nosso baile nosso ao som do silêncio.
Fica tua fascinação por Coixet, Sinead e Kidman. Os nove filhos, e a grande Madrid que me trouxe você, e que não me há de tirar-te.
Fica na memória como avisos pregados na geladeira o lembrete para os banhos do Bob.
Fica aqui comigo o teu cheiro que amo e a espera para o dia em que regressares.
Fica Luar na Lubre, cantando “Ancares” enquanto esse tempo não chega.
(Por quien suspiras? La despedida es corta la ausencia larga, quiero que te diviertas y no me olvides, prenda del alma).
Fica tudo o que eu não sentia, e que tu com teus encantos despertaste, puseste cor, puseste vida.
E eu não vou te buscar onde eu sei que não estarás e quando chegar o tempo de te ver de novo, que habite em ti a certeza de que eu estou realmente feliz por isso.

Te desejo sorte, muita sorte.
Me desejo sorte, muita sorte, semelhante a que te desejo a ti.
Que a tenhamos, pois.


Dani Cabrera



“Meu bem, qualquer instante que eu fico sem te ver, aumenta a saudade que eu sinto de você. Por isso eu corro demais, só pra te ver. Se você está ao meu lado eu só ando devagar, esqueço até de tudo não vejo o tempo passar, mas se chega a hora de pra casa eu te levar, corro pra depressa outro dia ver chegar. Então eu corro demais, só pra te ver. Se você vivesse sempre ao meu lado não teria motivos pra correr e devagar eu andaria. Eu não corria demais, agora eu corro demais, corro demais só pra te ver”. (A. Calcanhoto)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dos Dias Que Virão...

Poderia ser tudo mais fácil e menos feliz se tivéssemos nos desencontrado naquele dia em que você chegou na minha vida, mas por ventura não foi assim. Desde que tu chegaste, o meu silêncio se transformou em grito. E foi entre o primeiro e o terceiro encontro que o meu coração perdeu a paz de ser o único dono de si.
Lembro que chegaste numa quinta-feira improvável, de calor sem sol, céu sem azul, com teus olhos cinza e eu não te reconheci. Não como te reconheço hoje, com todas as cores que agora vejo e que antes eu não percebia. Reconhecia somente o que era relativo às minhas expectativas sobre tudo que encontraria na grande Madri, sobre a minha impaciência na fila de um aeroporto cheio de pessoas - que eu pensava que tu eras só mais uma delas-, e sobre as dúvidas e frustrações da noite anterior: foi justo quando eu pensei que eu realmente não tinha sorte nenhuma que você chegou pra me mostrar que eu estava equivocada.
No dia em que você chegou, a sorte estava na fila ao lado, acenando pra mim e apontando em tua direção, como quisesse me mostrar ou me dizer algo que eu não entendia. Lembro que quando tive a oportunidade de te reconhecer no primeiro momento, quando estávamos a sós, eu e você, eu senti sede e me fui sem pensar duas vezes, com minha música e minha melancolia - e te deixei ali sozinha. Eu só te reconheci um dia antes de ter que me despedir de ti outra vez, como se o acaso, ou a natureza (como você preferir chamar), não pudesse ser contrariado, como se tivesse realmente que acontecer, ainda que tarde. MAKTUB. Porque antes disso era como se alguém soprasse ou sussurrasse algo que eu não entendia a cada vez que você aparecia na porta do meu quarto e se sentava ao meu lado. Eu devia suspeitar que todo aquele riso que você me causava não era lá dos mais comuns.
Desde que você chegou na minha vida eu tenho tido a sensação de que o tempo de uma vida inteira é pouco demais pra tudo que se pode ser, criar e tentar; uma semana é como um segundo ao teu lado. Tenho sentido uma fome louca de tudo, de respirar fundo e aproveitar a vida, de aproveitar você. E não me intimidam esses quatrocentos quilômetros que estarão entre nós. Eu estarei em ti, e tu aqui estarás – dentro - cultivada em mim como se fosse flor. E as lembranças dos dias em que estivemos juntas serão como força incontrolável pros dias que eu, sem pensar em nada além de ti, vou correr pro aeroporto e entrar no primeiro avião que me leve até você, pra estar em paz outra vez. Porque do teu lado eu me sinto como quem sonha, como se precisasse de muito-pouco-quase-nada pra estar completa. Não sinto fome, não tenho sono, só vontade de te descobrir e de ser tua descoberta. E é entre os teus braços claros que eu não me sinto só. Porque apesar de toda essa capa de “que-forte-a-menina-indestrutível!”, eu sou débil e boba demais, fraca e vulnerável quando você dispara um olhar na minha direção. (“No me mires que me encierras... si, ahora es igual, mírame que ya me tienes encerrada por completo”). O meu sorriso é mais feliz contigo e eu amo conhecer teu mundo, as ruas que você passa, as pessoas que você ama, a cama que você dorme e o que você vê quando abre a tua janela ao despertar.
Eu quero ir em ti, quero ir até onde possamos ir, porque também confesso e aceito que já não sou tão singular, e que já me perdi pra ti faz tempos. Resolvi pular bem do alto dessa pedra e cair de vez nesse rio, e que a correnteza me leve pra esse lugar tranquilo que eu tenho a impressão de ver de relance a cada vez que nos encontramos.
Que o universo nos tenha reservado um amanhã bonito.
Segura a minha mão com força e não solte.


Que venha o desafio.


Por Dani Cabrera

“Que sí, que sí, qué bien! Que me encanta escucharte, adoro sentirte. El barrio es más hermoso desde que apareciste, hoy luce el sol en mi corazón. Mi niña, mi amor, mi rayo de luz, el camino que lleva a tu casa es mi alegría. La primavera ha llegado a la ciudad y no sabes lo bien que me sienta”.
(Mar El Poder del Mar _ Facto Delafé)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Do Cheiro Que Ela Tem...

Ela tem cheiro de sonho.
Cheiro de sonho em noite de sono tranqüila. Ou de sonho do sono de depois do almoço em dia frio. Ela tem cheiro de sonho de sono tão tranqüilo que dá a incerteza de ser mesmo sonho ou realidade. Ela tem cheiro de sonhos felizes, regados de sorrisos e de olhos nos olhos. Ela tem o cheiro de todas as coisas que eu mais gosto, como se fosse uma mescla de todas as minhas predileções. É um sonho do cochilo que por acaso sucedeu-se. Chamo acaso o que ela chama natureza, e nos entendemos assim.
Quando chegou, estava ela do outro lado da rua esperando. E ele ao baixar do ônibus, desceu as escadas correndo atrás do próprio coração que foi na frente a abraçá-la de tanta saudade.
E ele quase caiu já sem força quando ela sorriu em sua direção. Quase caiu, mas se manteve de pés e só se entregou a realizar o abraço que vinha desejando há semanas e semanas. Estava ela do outro lado da rua vestida de abraços e de beijos, de sede, vestida de toda a gentileza lenta que ele adora. Estava ela vestida assim e com cheiro de sonho. Ela tem cheiro de sonho.
Ela tem o cheiro de um sonho que ele tentava inventar no cenário novo, mas não conseguia. O sonho que na verdade não achava que sonharia. Sim, surpreendente é a vida... Um tipo de sonho que na verdade não imaginava que poderia (voltar a?) sonhar.
Ela dá vida ao cheiro do mar que cerca a torre cansada de San Sadurniño, e é linda à luz do sol ou ao brilho da noite silenciosa – ruidosa por ela e por mim. É mágica quando dança como Fred Astaire à sua maneira despreocupada, e me pega pelas mãos pra lhe acompanhar em seu baile ainda que não haja o mínimo som de música. Acho que a canção dela é daquelas que soam no coração... Ela me consome, me esgota e me revigora outra vez, é o meu INTENSO entregar. É a nossa vontade de não levantar da cama, e o meu manter-me desperta pra não perder um minuto sequer. “Abrazame, vamos a dormir”. Ela é sonho, tem meus olhos - e dói no meu peito uma dor maravilhosa quando dorme apoiada no meu braço esquerdo.
Ela tem o gosto do vinho dos ribeiros de Cambados, ela é doce e é ácida ao mesmo tempo, é sorriso e fumaça suspensa no ar, a voz que consegue todas as coisas que quer mesmo sem pedir. É uma mistura de menina, anjo, mulher e sonho. Porque ela além de ter cheiro de sonho é também o próprio sonho dele realizando-se a cada vez que se encontram.

Ella huele como un sueño.

Por Dani Cabrera
Permita-me Naty, mas vou mandar um PS aqui. rs
PS.: Talvez a imagem que acompanha o texto não pareça compatível com o que foi escrito. Mas esse foi o meu cenário. :D
PS2.: Um beijo à todos e muito obrigada pelo carinhho!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da Idéia Que Eu Tive...

Eu tenho um plano.
E na verdade precisamos ter um plano de fuga pra toda essa inquietude que ronda os pares do mundo. Porque todo mundo sonha tanto com um amor eterno, ainda que se diga o contrário, e que se faça aquele discurso hipócrita de que bom mesmo é estar livre. Mas liberdade não é estar solitário. Liberdade é poder ser quem se é independente de quem esteja ao teu lado.
Mas não vim aqui pra fazer discurso algum sobre liberdade, vim aqui pra ser direta como a tua personalidade forte tem me ensinado a ser. E eu vim te dizer que tenho um plano. Um plano pra essa coisa que a gente nunca sabe quando começa e quando termina.
Não quero te dizer que te quero ao meu lado pra sempre porque talvez pareça cedo demais, apesar de todos os meus movimentos dizerem que do teu lado eu fico tão boba feito menino no parque e o restante do mundo desaparece, até cairmos em si, dar aquela risada e eu dizer: respeite as crianças!
Não quero falar em “vida-toda” porque isso já é produto do mundo moderno, ansiedade disfarçada. Não quero falar do que já falei, quero novidades e eu sei que isso você me gera.
Quero te falar de minutos e minutos que podemos estar assim, lado a lado, e que podemos ir como agora, sorrindo – tu com esses olhos que tem uma cor que eu antes achava triste demais, e eu com essa minha cara de boba que fica pensando o tempo todo em que-sorte-eu-tenho-sempre. THE GREAT ESCAPE.

Te digo meu plano:

Vamos assim, eu e tu, tu e eu, fazendo cara de contentes demais, esperando dias, esperando palavras, disfarçando e distraindo o tempo até o dia em que a vida decidir ser. Fim.


Por Dani Cabrera

Recebi esse MEME da Sophia, também há uns dias atrás, e só hoje tive tempo de responder.

Regras:
1) Responder a verdade.
2) Repassar aos blogueiros que conhece.
3) Não esquecer do recadinho para quem te convidou.


Perguntas:

1) Onde está seu celular? Aqui do meu lado.

2) E o namorado? Sonhando.

3) Cor do seu cabelo? Castanho avermelhado.

4) O que mais gosta de fazer? Depende do dia. Gosto de sair e me reunir com meus amigos pra conversar e tomar algo, gosto de estar em casa pra ouvir música ou ler um pouco.

5) O que você sonhou na noite passada? Melhor não dizer... rs

6) Onde você está agora? Em casa, na sala.

7) Onde você gostaria de estar agora? Em Cambados. : )

8) Onde você gostaria de estar em seis anos? Na Capital ou em Barcelona.

9) Onde você estava há seis anos? No Rio, trabalhando na C&A, de vitrinista.

10) Onde você estava na noite passada? Trabalhando até as 22h, e logo cama com direito à muita febre! Ah! Antes tentei assistir Big Fish, mas não consegui terminar. Vou Terminar daqui a pouquinho.

11) O que você não é? Muita coisa de boa e muita coisa de ruim.

12) O que você é? Que complexa essa pergunta...

13) Objeto do desejo? Lá vai: um New Beatle vermelhooooooo!!! E uma caravana pra dar uma rodada pelo país.

14) O que vai comprar hoje? A essa hora já não se compra nada. (01.57)

15) Qual sua última compra? Curativos. rs

16) A última coisa que você fez? Pasta de Atum.

17) O que você está usando? Pijama e fones de ouvidos bem grandes! Descalça como sempre.

18) Quem está com você agora? Sozinha, supostamente.

19) Seu cachorro? Ai, prefiro gato, mesmo tendo que tendo o Bob, tadinho! Que ele não leia isso! Hahahahahaha...

20) Seu computador? HP. Mas já tenho que trocar porque já está ficando bem surrado.

21) Seu humor hoje? Tô uma mistura de apreensão com felicidade. Tô ansiosa também, no bom sentido da coisa. Tô me sentindo quase satisfeita, com um quase gostinho de consegui. Tô me sentindo feliz.

22) Com saudades de alguém? Sim! Muuuuita! Mas com dias contados! :D

23) Seu carro? Preciso terminar a auto-escola antes.

24) Perfume que está usando? Perfume não, um hidratante dove.

25) Última coisa que comeu? Sanduíche de pasta de atum.

26) Fome de quê? De vida! De tudo!

27) Preguiça de… ? Não to lembrando agora, mas tenho preguiça de muita coisa.

28) Próxima coisa que pretende comprar? Posso pular essa?

29) Seu verão? O verão já está indo embora e eu ainda não fui à praia...

30) Ama alguém? Amo.

31) Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? Ainda há pouco lendo um site de cantadas de pedreiros! Hahahahahahhaha...

32) Quando chorou pela última vez? Domingo retrasado.


Repasso à:

Janaína

Karine

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Do Que Eu Preciso Te Dizer...

Eu preciso te dizer que minhas intenções a teu respeito são as melhores, e preciso que você acredite em mim.
Eu preciso te dizer também que não esperava que você fosse me invadir o peito sem pedir permissão, sem ao menos deixar que eu percebesse ou tentasse impedir a tua entrada: você entrou e se sentou em um lugar onde quem se senta não se levanta.
Você precisa saber que algumas coisas, ainda que não pareça, ainda estão em fase final de cicatrização, apesar de já não verter sangue algum. Só algumas lembranças que me deixaram uns reflexos mal feitos, e que às vezes me fazem dar ou deixar de dar passos. Eu sei que não pode ser assim, eu sei – questão de tempo. É tudo teu. Eu preciso te dizer que não adiantou temer e me conter. E preciso te perguntar: como foi que você me roubou pra você?
Eu quero que você saiba que sinto muita, mas muita vontade de te levar de alguma maneira até o meu próximo ano, e o outro e o outro e mais quantos puder. E quero que você saiba que os teus olhos me fazem querer isso cada vez com mais força a cada vez que você os finca nos meus, e sorri. E eu já não quero desviar os meus olhos por medo de cair de vez nas tuas mãos, porque eu já não tenho armas pra te enfrentar, a única saída é me render. Eu quero te dizer também que quando você deita no meu braço esquerdo perto do meu peito pra descansar tua alma eu me sinto completa, e não seria infeliz se o fim desse preenchimento tivesse que ser uma conversa de botas batidas. Eu quero te dizer que já faz tempo que a minha magia não funcionava e que os meus olhos não brilhavam tanto, e que foi só você chegar pra que tudo voltasse a crescer e eu recuperasse esse fôlego de jovem que toma água da fonte, mas tenho que te confessar também que morro de medo de te dizer essas coisas tanto quanto morro de vontade de te dizer tudo isso e mais agora mesmo. Eu quero te levar adiante, e quero te dar todo o valor que te cabe. Quero te sentar nos lugares que você merece sentar-se e te dar o cuidado e o respeito que você merece, quero aprender a decifrar todas esses teus enigmas cinzas e coisas que você me diz e que me deixam forte, forte, forte – e fraca de tanto querer. Quero que você perceba que abri espaço agora, e que você pode se acomodar e ficar até o dia que eu não vou me atrever a dizer qual é.
Todos dormem já. Só em mim que a saudade não dorme.

E quase me esqueço, um pedido que quero fazer:
Confia em mim. Me dá a mão bem forte e pula comigo daqui.


Por Dani Cabrera

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dos Tonteios Que Confesso Ter...

A questão foi que eu passei tempo demais tentando dar nomes ao que não precisava em lugar de ir em frente e dar vida ao que precisava viver.
É que nós - as pessoas - temos a estranha maneira de complicar tudo com os nossos métodos e fórmulas infalíveis que não nos levam a lugar nenhum, nos mecanizam... não deixa transluzir. A questão é que era ela, e é, e eu preciso fazer algo antes que o portal que dá acesso a essa nova dimensão se feche outra vez e me deixe no frio, do lado de fora.

De tanto temer errar eu acabo me esquecendo também de acertar, e querendo acertar eu quase deixo de ser eu mesma. Eu não quero dizer-te que penso em ti a essas horas da madrugada, e com tanta falta que remói a garganta. É que eu quase me esqueço que com o tempo as pessoas acabam se esquecendo que o natural é envergonhar-se somente do que é indigno, mas o crucial é ser quem se é. E você sabe que eu tenho sentimentos, e é normal que eu esteja desejando muito, mas muito te ver a ponto de doer agudo, e talvez querer fugir.
E não me diga pra não me apaixonar porque eu vou encher a tua casa de flores.
Não se trata de querer despejar em você toda a carência que eu mesma dissimulo não ter.
É saudade, saudade e carinho, e só.

E eu que pensei que seriam suficientes todas aquelas vezes que entre um beijo e outro, entre um entregar-se e outro, eu te olhava atentamente os detalhes, com fome de guardar qualquer imagem tua que pudesse amenizar a saudade que eu começaria a sentir milésimo de segundos depois de você beijar a minha boca que se faria outra vez fria e soltar as minhas mãos pra entrar naquele trem que te levaria pra cidade ao lado. Eu imaginava que quando você subisse naquele trem algo de mim seria levado, mas não sabia que me doeria tanto a ponto de me tirar a paz na segunda-feira. A saudade segue aqui, e toda a tentativa de te manter fresca na lembrança foi só artifício pra me prender mais ainda na falta que eu sentiria.

Essa noite eu não vou chorar de saudades.
Vou fechar meus olhos, e exigir que as horas tragam você pra mim. Outra vez.


Por Dani Cabrera