sábado, 29 de mayo de 2010

Sobre Escaladas...

Todos os dias subo correndo a colina com os tijolos da nossa casa nas mãos, um à um. No fim do dia me deito nessa cama de menos de metro e meio, que nos cabe perfeitamente, e ouço a tua voz, descanso todo o feliz cansaço de poder fazer o-nosso. Respiro ofegante e sorrindo porque é por nós, amor, porque a sorte sorriu pra mim outra vez desde o dia que te encontrei. Dessa vez ela sorri pros nossos planos e não somente pra mim e pra ti. Sinto-me abençoada pelos céus e pela terra, pela vida, e por tudo mais que possa abençoar. Tu não es o meu segredo. És parte de mim, minha metade até então perdida no outro lado do Atlântico. Estarei chegando enquanto tu cantas, enquanto sonhas comigo do teu lado.
Tenho as mãos marcadas, meu bem, de poeira, arranhadas, porque a primavera deu flores e eu ando colhendo todas as que encontro no meu caminho. Tenho o peito latejante de tanto-tanto esperar pelo momento em que no fim do dia estará tudo em paz. Você e eu ali. Me caso contigo todos os dias, desde o dia que tu me reconheceste. Me apaixono por ti de uma maneira nova a cada vez que desperto.
Desço correndo, fazendo metade do tempo do trajeto que preciso percorrer como se tivesse asas. Encaixo as peças com o cuidado de que os nossos caminhos sejam apenas um, ainda que Madrid e La Coruña sejam cidades distantes. No meu peito eu te acompanho. Entro contigo em Metro Princesa enquanto te sirvo um licor em Archer Milton Huntington. Por isso eles não entendem o porquê de eu rir sozinha às vezes. Eles nunca entendem meus ímpetos... Vou vivendo uma vida à la Amelie Poulain, sonhando com o dia que Nino entrará pela porta com o pão para a cena nas mãos. Fechando os olhos pra te imaginar pisando o meu tão amado chão de terra e samba. O futuro eu já sei. Enquanto ele não vem eu continuo subindo essa parede de pedra ate que seja topo. Te quiero.

Por Dani Cabrera

No me importa el náufrago, mi fortuna está en llegar mientras alguien canta. Hoy nadé otra vez mientras tú cantabas. (Najwa Nimri)

martes, 4 de mayo de 2010

Confissões de Um Sábado à Noite

Eu me sentei na esquina da tua rua pra sonhar um futuro bonito.
E caminhei sozinha por ruas que caminhamos juntas pra tentar trazer você de volta. Eu passei na porta da tua casa e esperei você aparecer na janela da sala, mas você não estava ali. Eu te procurei nos bares de meia luz da cidade velha e você não estava sentada em nenhum deles. Você estava aqui, dentro. Tu estás sempre comigo.
O sol chegou depois de eu tanto me esforçar pra acreditar que ele um dia viria. Ele chegou. O sol sempre esteve aqui, era eu quem não estava. Tu estavas. Eu estava, mas precisava desejar. E digo desejar com força, desejo carregado de desejo. Eu precisava saber te amar como mereces. Eu te amo. Como mereces, tal qual. Tenho sede de ti. Ando pelos dias desejando-te como o peregrino que deseja água. Desejando-te. Desejando. Penso em ti desde que desperto até a hora de dormir, em paz. Pacientemente. Como o arquiteto que olha as paredes de tijolo cru e vê seu projeto já concluído. Sem pressa, trabalhando melindrosamente, mas com o coração ansiando que os meus olhos te vejam todos os dias até o dia que eles não puderem mais se abrir. É o nosso momento, meu amor. O nosso.

Te espero!!!
Vem.


Por Dani Cabrera


Gritaré, gritaré hasta perder la voz.
Y gritaré, gritaré hasta llegar a tí.

(Najwa Nimri)

domingo, 25 de abril de 2010

Pra Você Que Eu Amo

Sou uma coleção de marcas tuas, meu bem. Tu não refletes nos meus olhos só ao estar diante de mim. Eu sou você refletida quando não estás aqui, e o meu riso delata que eu encontrei o amor, e não um amorzinho desses qualquer, dessas paixõezinhas baratas que a gente vê enlouquecer as pessoas por mundo afora. O que eu encontrei, senhores, não foi um amor desses melodramáticos, de murros e beijos, de perdas e danos. Ainda bem que não... O amor que eu encontrei é um amor de certezas, de paciência, de bondade. De confiança de que é em mim que tu pensas quando te deitas, mesmo que a tua cabeça descanse 600 quilômetros longe do meu peito. É um amor que me agita por dentro só em pensar que tu estás chegando, e é tão gostoso isso de saber que o tu também ferves por dentro no mesmo momento e pelo mesmo motivo que eu. Não há sensação melhor do que sentir o teu abraço ao meu redor. O mundo anda mal, meu bem, a crise anda enlouquecendo as pessoas. Tem um montão de gente desistindo todos os dias. Sim, os tempos são maus para a lírica, já dizia aquele grupo que você tanto gosta. Não é fácil tragar esse vinho amargo que as circunstâncias nos proporcionam, mas não amargamos não. Não desistimos não. Porque tu não estás só. Em todo esse universo, nessa vida ou em qualquer outra, no bom e no mau, eu estou contigo. Eu não estou só, porque tu estás comigo. Tá tudo bem então. Vejo gente desesperada, buscando qualquer coisa interessante que possa fazê-los seguir adiante, gente que perdeu a fé, sabe, meu amor? As pessoas andam cansadas de tanto fazer girar essa roldana ingrata que no fim das contas não te dá nem um obrigado. Às vezes pesa demais essa roldana, meu bem, porque eu também a giro. Mas quando eu lembro de você tudo fica mais leve. Eu tenho motivos pra não parar de girá-la, de continuar na briga. E quando não estou pensando neles alguém sempre vem e me diz que a minha cara denuncia que por aqui tá tudo bem. E esse bem se chama... tu. Simples assim. São as marcas tuas espalhadas pelo meu corpo inteiro, como tatuagem por dentro e por fora da minha pele. Foi você quem mudou o meu perfume, e me faz exalar essa coisa tão positiva, e eu te agradeço por isso, te amo por isso, te quero cada vez mais por isso.

Por enquanto, a primavera vai cobrindo toda a Galicia de poeira amarela, e eu vou ensaiando baixinho nesses três metros quadrados, que temos que ir a comprar porque a geladeira anda vazia das minhas bobagens e da tua comida sã. Mas sem que ninguém escute. Tem gente que não entende o que é sonhar... Melhor guardar esses meus delírios pra mim mesma.
Termino assim, como quem não termina.

Te amo. Te espero todos os dias.

A tua,

Dani.


miércoles, 7 de abril de 2010

Agora que tu vais outra vez,

...o que resta é a sensação da tua caricia no meu rosto cheio me memórias tuas. Quando me olho no espelho é de ti que eu me recordo. Fica a minha cama marcada pelo teu corpo, as paredes do meu quarto ecoando a tua voz e a minha expectativa inocente de que a qualquer momento o interfone vai soar e vai ser você dizendo que não precisas mais ter que me deixar aqui. De que vai ser você lá embaixo dizendo pra eu descer correndo, só com a roupa que levo no corpo, e que o necessário não são as coisas que eu poderia querer guardar numa maleta, que já basta a nossa vontade somada de estar juntas ate que a vida seja fim. Mas não é assim. Hay que tener paciencia, cariño, e não saltar as etapas. É preciso seguir lutando e acreditando que esse é o preço que há de ser pago pela tranqüilidade que está a caminho.
O tempo se para aqui. Agora que tuas malas estão feitas, e Madrid te espera outra vez.
Te espero.

*

Ojalá me salieran alas mientras el fuego consume el pitillo y su humo llena de baile el aire de mi habitación. Ojalá me salieran alas y pudiera volar hasta donde la carretera no fuera el puñal en el pecho, hasta donde no hubiera ese hueco inmenso entre tú y yo. Ojalá pudiera pararte antes que cogieras el autobús que se te me lleva.


Por Dani Cabrera


Revolvió su calor con su voz, con leche y azúcar, se lo dio a beber. Moldeó el corazón, la razón, con unos besos, de ron y miel. Horneó con su aliento su pelo, y caramelo parecía al terminar, y quiso saborear, la masa de su pan. Escríbele canciones, envíale tu voz donde él esté. Nadando por su almohada, le vino a visitar en sueños él. La vino a revolver, y se dejo hacer... Estampidas en la tierra, el cielo iba tiñéndose marfil. Porque brotó en torrente el verbo y las ganas de sentir. Y pudo saborear la masa de su pan. (Revolvió, Bebe)


*Foto. Calle de las flores, La Coruña.

jueves, 11 de marzo de 2010

Mais Uma De Amor

O teu amor encheu o meu peito num momento em que o queriam transformar em um jarro vazio, por pura maldade. Te encontrar foi como descobrir uma fonte de águas no ponto mais seco do deserto mais quente que eu já ousei atravessar. Fechei meus olhos pra descansar debaixo de uma sombra qualquer e vi cores, tantas cores, mais de sete, e decidi me levantar pra te dizer que o teu amor trouxe graça pro meu mundo até então preto e branco, feito curta-metragem dos anos trinta, som de fita rodando no projetor e Al Bowlly cantando “Heart and Soul”, apaixonado por qualquer coisa, mas sem amar em paz. Foi contigo que aprendi que amor é sinônimo de paz. Teu amor abriu os meus olhos pras coisas que eu também posso querer, e eu já não penso mais em histórias-pra-não-dormir. Vou com força, vou em frente, por mim e por ti sem desistir.
O teu amor me curou da dor, da insegurança e da fobia de estar só, e quando eu olho pros próximos anos eu vejo você parada na minha direção e sorrindo pra mim, dizendo que tudo vai ficar bem.
É o teu amor me faz confiar em ti.
Deve ser por isso que toda vez que penso em ti, sinto esse cheiro de alecrim, louro e flor de laranjeira, cheiro de coisas felizes, de dias de sol, manhã de abril. E deve ser por isso também que ainda hoje sinto como se mil borboletas levantassem vôo no meu ventre quando te vejo ou te sinto chegar, como na primeira vez. Por isso eu prefiro lutar contra o meu e o teu sono, ainda que cansada, por ter umas horas mais olhando esses olhos e esse sorriso que desafortunadamente demorei 25 anos pra encontrar, mas que afortunadamente encontrei entre placares num saguão de um aeroporto lotado. Agradeço à sorte, ao destino, à Deus, aos trevos de quatro folhas, aos anjos, ao universo, ou a quem quer que tenha sido tão legal comigo à ponto de trazer você pra mim, a ponto de me fazer entender que algumas vezes a gente vai deixar de acreditar, mas que existem muitas coisas que não são mito, são reais mesmo, e uma delas ainda é o amor. E sempre será, porque sempre foi.
Diz pra mim que a dor de não ter o teu rosto todos os dias quando desperto é momentânea e não chores nunca mais por eu ainda não poder ficar. Beija os meus olhos com essa tranqüilidade que vem de ti e me inunda, aperta o meu corpo contra o teu e sorri pra sorte, meu bem. Porque aqui não precisamos mais esperar que seja o vinte e um de março.
A nossa primavera já chegou.

És o meu amor,
A minha paz.

Por Dani Cabrera



"Quem poderia prever que você pudesse me amar?".
(Volver - Pra Deus Implorar)



PD. Fíjate de la chaqueta del que lleva las flores a ver si te suena... ; )

jueves, 11 de febrero de 2010

Pra Desafogar

Não sei se descer as escadarias desse edifício e ir sem rumo já que não estás aqui, até que essa grandeza deixe de me sufocar. Não sei se permanecer aqui, tomando assim uma decisão maquiada de autocontrole pra te ligar e frear metade dessa sede que tenho, me limitando a dizer apenas que sinto muito a tua falta, especialmente hoje, misteriosamente mais hoje do que ontem, a ponto de querer descer essas escadarias correndo e sair pelo portal pra não ir a lugar nenhum, também porque no meio desse vilarejo não há nada além de espaços vazios de ti, rumos sem sentidos, mas ir em frente pra me afugentar desse medo bobo que eu às vezes sinto dessa coisa que você plantou em mim e que só faz crescer, crescer, crescer e me consumir, e me consome de uma maneira tão curiosa, porque não consome no sentido de acabar, entende?, consome aumentando como se fosse uma espécie de levedura, amor fermento ou sei lá o que. Eu não pedi um vilarejo sem ti. A capital sem ti não tem a mínima graça. Que se dane arquitetura de dois ou seis séculos atrás, eu não estou nem ai pra pra nada disso agora que eu descobri que a vida é tão breve e que os ponteiros declararam uma guerra secreta contra a nossa chance de viver uma vida legal e sentir essa coisa boa que a gente por muito tempo acreditou que só existia nos filmes ou maqueteada na infinidade do espaço que há entre esses que no dia de San Valentin, vão ofertar chocolates recheados de fel e rosas congeladas às suas respectivas vitimas de abusos sentimentais. Pratos preparados pra saciar qualquer necessidade presente, e depois boa noite se restar, vira pro lado e dorme com um quase muito obrigado entalado na garganta. Faltaria mais! Porque amor não dói a dor da ofensa, e tu me ensinaste isso quando começaste a me amar também. O que dói as vezes é quando o coração aperta de vontade de te engolir inteira, te envolver, uma vontade de nos desmontar e montar tudo de uma forma que sejamos tu e eu uma só coisa entranhada, unida. Falta de ar outra vez. Respiro & relaxo & retomo o controle. Sorrio grande, amplo. Acho que esse deve ser o tesouro que o pessoal anda buscando. Acho que isso deve ser felicidade.


Por Dani Cabrera

jueves, 28 de enero de 2010

Gracias Por Venir

Grita meu nome e me diz “vem”.
Me diz coisas sobre a imensidão dessa cama de noventa, e que não agüentas mais olhar pro céu todas as vezes que ouves um avião passar, pra fantasiar que seria tão bom que ele me estivesse levando para ti, e imaginas teu coração disparar pelos passos corridos até o saguão de Barajas e esperar por alguém que no final não chegou. Enquanto eu aqui fico acordando pela manhã, refazendo teu caminho mentalmente, imaginando a sorte que tem aquele marroquino que te cumprimenta todos os dias ao te ver passar, e como toda a Gran Via e o teatro municipal se tornam mais bonitos quando tu passas diante deles, como se banhassem em cores e recebessem um foco de luz tão forte quanto o farol da Torre de Hércules. É como se tu mudasses os caminhos por onde andas. E eu sei que você vai dizer que é um pouco de exagero meu, e que faço uso poético, mas é que te imagino assim, porque desde o dia em que chegaste a minha escuridão também se encheu de luz. O que estava morto voltou a viver e o meu pessimismo crônico passou a receber injeções de otimismo concentrado.
Eu tenho que confessar que depois que o vento passou sem dó e eu caí do pé, deixei de acreditar nessa coisa de amor, e mesmo sustentando um discurso de que sim, não - eu já não acreditava mais. Nessa época o amor pra mim significava dor, desprezo, um dar sem receber. Pensava que não era coisa pra mim, e não porque eu não pudesse dar, mas porque eu deixei de acreditar que houvesse alguém que eu pudesse amar e que pudesse me amar também. Até que tu chegaste e eu te ouvi dizer pra eu começar a me acostumar com a idéia de ser amada também. Portando-se feito fosse minha recompensa.
Ah, se eu soubesse que quando eu plantava dor era pra colher você!
Diz pra mim que sabes que a minha sede se sacia à tua beira.
Diz que sou tua, só tua e de mais ninguém. Senta e come, porque valeu a pena preparar um banquete mesmo sem saber se tu chegarias ou não. Chegaste. Sacia-te pois.
Eu também não imaginava que era assim tão bom e tão sereno ao mesmo tempo. Eu que passei a quarta parte de um século contemplando a sorte, hoje sinto que ela me contemplou também.
És a resposta que eu tive da vida quando a desafiei sobre se valia à pena seguir acreditando nisso que eu chamava fábula, e que hoje enche o meu peito, como se em mim batessem mil corações.


Por Dani Cabrera


"Me leve com você. Ir pra todo lado só te trouxe até aqui. Vou pra qualquer lugar, sei que você também. Acima da chuva vou decolar. Quero viver sempre em paz sem fim. Acorda, acorda. Vem me ver, desce aqui estou só. E o céu já vai abrir... ".
(Volver, Acima da Chuva)



Prepara um abraço apertado que eu estou chegando! : )

lunes, 18 de enero de 2010

Sorte, Sorte, Sorte

Já me acostumei com a tua voz e o teu riso rouco, o teu beijo, a textura da tua pele na minha e com ver-te sempre sorrindo pra mim quando acordas.
Me acostumei também com teus eventuais azedumes, teus dias tempestuosos, ácidos, dias que acontecem pra qualquer pessoa, por mais encantadora que ela possa ser.
Tenho aprendido sobre alguns dos teus limites, teus métodos, teus gostos e tuas manias, e tenho me apaixonado um pouco mais a cada dia por cada uma delas.
Me acostumei a lembrar do teu rosto toda vez que escuto alguém dizer a palavra Amor... E a sorrir também, mas nem sempre deixo que percebam. Já me acostumei com a tua cabeça apoiada detrás do meu ombro na hora de dormir, com o teu bife mal passado, teu yogurt de baunilha e um cigarro depois. Me acostumei a ser o teu par, tua cúmplice, o teu amor, tu niña, a tua morena. A correr pras estações pra te buscar, a colecionar dezenas de horários de vôos, e ônibus e trens guardados numa caixinha onde tenho guardadas um monte de outras coisas sobre ti.
Me acostumei com tanta coisa, meu bem, mas essa noite vai ser tão difícil dormir sem ti, porque ainda não me acostumei, e na realidade não pretendo me acostumar, com a idéia de ter que estar sempre-sempre me despedindo de ti, sempre de mãos atadas e tendo que te ver voltar pra dura Madrid, e permanecer aqui, levando a vida, esperando pelo dia que possas regressar outra vez.
Tenho que confessar que dói sim, senhores, mas que na verdade doeria muito mais não ter dela todo o amor que tenho. A dor que mata é a dor do desamor. Mas essa não mata, me faz querer viver.
Porque eu sei que eu vou guardada dentro de ti por onde você for, guardada como se fosse uma obra de arte dessas bem valiosas, e tu meu amor, tu aqui vais ficar, a tua marca e o teu espaço na minha cama, teus passos nas escadarias do prédio, o cheiro dos teus cabelos no meu travesseiro, a casa e meu peito cheios, inundados de ti. Submersos em ti e na falta que fazes. Porque quando não estás aqui o frio é de morte. E se antes eu não tinha assim tanta razão pra querer conseguir algo, hoje eu tenho um sonho, e sonho em estar em paz ao teu lado, sem a maldade desses - agora - 600 insuportáveis quilômetros que me detonam toda vez que tenho que voltar pra casa sem ti. Esses terríveis 600 quilômetros que estão me injetando esperança e força pra que no próximo outono os estilhacemos em cacos bem pequenos, e que tudo esteja bem.
Desejo-nos sorte. Deseje-nos sorte também.
E diz pra mim que tu também sonhas com isso e me enche assim de ânimo pra lutar ainda mais pela possibilidade que existe, mas que eu sei que não vai ser tão fácil de conquistar.
Sonho tem peso de sonho, e tudo que é bom, pra ser conseguido precisa ser batalhado, por isso eu não vou parar, não vou desistir.
Diz pra mim que acreditas tanto quanto eu pra que eu siga acreditando também, me diz que vamos conseguir, e que haverá um bom futuro e que ele é nosso.

Vou atrás dele.
Vem comigo?


Por Dani Cabrera


"Estoy cansada de verte y no puedo, cansada de quiero y no debo, cansada de Dios. Y no ves que es terrible amanecer sin huellas de tu piel en mi piel? No me crees es posible que te encuentre cuando duerma". (Lantana, En Un Sueño)

viernes, 8 de enero de 2010

Prosa da Toda Prosa

Eu gosto de dizer que te amo mesmo sabendo que pra ti já não é novidade, e gosto também quando sem ter a mínima dúvida disso tu ainda me perguntas. Eu gosto de saber que me amas do tamanho de um avião, de um transatlântico, do sol visto da metade de caminho e mais um quilômetro, pra não queimar.
Eu gosto de beijar teus olhos, sorrir pra ti sem ter motivo aparente e te ver sorrindo pra mim também sem motivo aparente pra quem vê de fora. Mas eu sei porque sorrimos. E tu também o sabes. Eu gosto de despertar pra te ver dormir, mesmo que tenha muito, mas muito sono: te ver descansar me faz descansar também, me enche de paz, me faz sentir como se o dia tivesse terminado da maneira mais correta que poderia terminar. Eu gosto de estar do teu lado, de andar ao teu lado, e de te abraçar pra nos proteger do frio sem dó dessa cidade que creio que estou aprendendo a gostar mais ainda por saber que guardam marcas dos teus passos debaixo das poeiras dos meses e meses sobrepostos.

Eu me sinto feliz contigo, a mulher mais feliz do mundo quando fechas os teus olhos e a tua voz diz todas as coisas que o teu corpo quer dizer, e que você sabe que eu adoro ouvir. Eu gosto quando sobre mim descansas, te recompões. Te abraço forte pra que sejas completa, beijo a tua testa pra demonstrar todo o meu carinho, te ofereço o meu peito pra que descansasses no teu sono e me sinto radiante assim.
Eu coleciono horas pasmando e olhando os teus olhos grises, ora verdes, outrora azuis e gravo o teu rosto na minha memória porque ainda vivemos dias que temos que aceitar a despedida.
Eu abracei as tuas costas e beijei a tua nuca, eu te passei o cinzeiro e ouvi as tuas historias, teus pontos de vista, tuas conclusões. Eu leio teus livros e as tuas anotações de lápis me parecem mais interessantes do que a própria historia; eu me perco em ti.
Eu me apaixonei por ti, meu bem, e me apaixonei por todo o teu mundo.
Eu finjo pra mim mesma que o tempo passa rápido e trato semanas como quem trata horas só pra não doer, mas se dói, quando te vejo tudo já fica bem outra vez.
Eu vou ao teu encontro ainda com o coração saltando de alegria, as mãos suando e a barriga congelada por dentro, e ao te ver, o resto do mundo perde a toda a importância no mesmo segundo.
Eu estendi tuas roupas ao lado das minhas no varal da minha casa e me senti tão segura, e achei tão bonito isso, mas me calei.
Eu me sinto tranqüila porque o nosso partido não é um coração partido, e a nossa novela não é um dramalhão mexicano, cheio de dores e golpes, de mentiras, de malícias. E eu peço à sorte que os nossos ânimos nos conservem assim.
És a minha sorte, és o meu desejo de ser a melhor pessoa que eu possa ser, e também és pra mim a melhor coisa que tenho. Entraste em mim e curaste cada uma das feridas que de noite vinham transformar meu travesseiro em pedra.
Eu gosto tanto de saber que vivo em ti e tu em mim.
Eu gosto tanto de ti...


Por Dani Cabrera


"No me cansaría de decirte, nunca, que eres tu toda mi fortuna. No me cansaría de adorarte, siempre en esta vida. Haria lo que fuera por tu compañia, siempre, siempre, siempre... A tu lado quiero estar... Si estamos juntos que más dá? Tu y yo es mas que suficiente". (Lantana, Siempre)


PS.: Postagem nova no outro Blog.
Não, não foi desativado! Aí vai o link: O Que Eu Não Disse

Feliz 2010 para todos! Muita força e coragem pra todos nós. ; )

domingo, 27 de diciembre de 2009

Sobre Fisterra, Novos Horizontes e O Amor...

"No fondo do mar,
¿onde están as chaves?
Procurando o ferrollo
e as portas.
-Desde dentro de ti isto non se abre-."

(A fin de Fisterra, Cesar Antonio Molina)

Eles pensaram que tudo terminava ali, mas não.
Eles queriam me empurrar do alto daquele precipício, porque sabem que não sei nadar, e tampouco tenho asas como minha amada Clarice. Mas eu não preciso saber nadar, e também não preciso de asas. Eu quero é mover-me daqui, ainda que seja pra consolidar a minha paz no fundo desse mar gelado. A minha paz nunca morre.
Eles acreditaram que depois do abismo haveria água somente, fins decretados e rochas, acreditavam que seguir o horizonte seria voltar a si mesmo sem conquistar coisa alguma. Eles que vinham do oriente juravam que o fim do trajeto era ali, o fim da vida pra quem decidisse seguir adiante, o fim das terras. Fisterra**.
Pobres são os que só acreditam no que vêem.
(Alguém me ensina a aplicar isso, por favor?).
A questão, meus amigos, é que sempre existiu a possibilidade do inicio de todas as coisas enquanto os nossos olhos se dedicavam a acreditar no fim. Explico-me: é que ironicamente, o inicio de tudo parece dar-se exatamente onde pensamos que tudo termina. E eu sei que é difícil ser tão forte, o medo domina quando temos que submeter-nos aos limites com a responsabilidade de sobreviver. Mas a minha inquietude me fez subir numa caixa de madeira quase podre, abandonada no fim desse beco sem saída, pra olhar o que existe por detrás desse muro tão alto, e com os meus olhos vi que depois do muro existe uma grande avenida que me leva até a cidade vizinha, que tenho a ligeira impressão e digo quase com certeza que se chama “Dura-E-Doce-Madrid”.
Depois do meu “game-over” psicológico, das minhas limitações internas, eu descobri que existe muito mais do que águas e rochas; existe o meu sorriso de satisfação escondido em um pântano irreal, e ele não existe pra ninguém senão pra mim. Talvez seja porque como eles, os de antes, que não conheciam as belezas das Américas, eu também acreditei demais por um momento no fim. Só que eu não havia aprendido ainda, que não conseguir alcançar com os olhos, senhores, não quer dizer que não há nada mais adiante. Um tempo depois, de maneira espantosa descobri isso, como quem descobre uma América, ou as três de uma só vez.
Evidencio-me em Fisterra, evidencio-me no fim das terras.
Evidencio-me no frio que senti quando cheguei no topo da pedra mais próxima do fim - mas sem molhar meus pés no medo que eu senti de ser tragada por aquilo que não era fim, mas o meu próprio começo-, e aqueles braços claros me envolveram e me ensinaram coisas sobre aquecer-se neles. As surpresas que se escondem detrás das portas que decidimos não abrir às vezes permanecem ali, pacientemente, com os braços abertos, cheios de calor pro frio, esperando que um dia qualquer nos enchamos de valentia pra abri-las e encontrá-las – mas às vezes não.
A espera pela nossa salvação é mais larga quando existe o medo de saltar. As minhas portas eu quero abertas porque eu não sei esperar, quero vê-las escancaradas, batendo com o vento que entra pelas janelas da sala, e fazendo um barulho imenso que não vai me deixar dormir essa noite. Nada de fim. O horizonte é meu. E é do meu amor também.
Evidencio-me em Fisterra também, porque precisei ir com ela ao fim do mundo pra que seu coração se apaixonasse por mim. Pra tropeçar e sentar-me naquelas pedras ásperas, e quase chorar de medo por vê-la destemidamente seguindo adiante.

Vertigo.
Abrázame, cariño, no sigas adelante. Siéntate a mi lado y enamórate de mi ahora que somos solo tú y yo, y las aguas, las rocas, y las Américas al horizonte que no se ve.

Em Santiago eu zombei do fim e caminhei sorrindo sem me preocupar com se chegaria ou não, molhada da chuva que não queria parar de cair. Eu cheguei. Encharcada e sorridente cheguei.
Eles diziam que ali tudo terminava, e eu por quase um segundo acreditei que eles tinham razão. Até que daquela boca eu ouvi dizer que algo havia começado ali, inesperadamente pra ambos, afortunadamente pra mim.
Estou agora mesmo, no meio da noite, sentada no caminho que leva ao suposto fim das terras, e não sei se a sorte quer que eu permaneça aqui por muito ou por pouco tempo. Tenho outra vez vontade de mover-me daqui. Creio que já aprendi a lição do ano.
Tenho a minha mente animada, a despeito de tudo o que desejava que eu me portasse de maneira inversa, estou feliz, sim-senhor!, tenho o meu bem ao meu lado e um milhão de sonhos pra realizar. Tenho comigo o impulso dos navegadores que descobriram que depois do fim existia um mundo novo. Tenho hoje olhos treinados pra ver campos de trigos nesse punhado de grãos que levo escondido e que enche o bolso direito da minha calça jeans; e que ando só esperando o momento correto pra lançá-los no caminho de terra e vê-los crescer depois de morrer sob essas mesmas terras, e depois, sobre elas surgir e ser pão enfim.

O que mais pode querer alguém que tem fé e amor?
Alguém me diga, por favor...


Por Dani Cabrera



**Fisterra, ou Finisterre esta situada nos confins do velho continente em um dos pontos extremos da Europa (o extremo mais próximo da América). Durante milhares de anos acreditou-se que era o fim do mundo, finis terrae e que a cada noite o sol se apagava no mar, num lugar de águas e através do qual se chegava numa região de trevas povoada por monstros marinhos. Mas eles ainda não sabiam, que do outro lado da imensidão azul do Atlântico Norte, os esperava o novo mundo.

2019

Echarte de menos en una tarde como esta, sabiendo que vendrás – que en un par de horas entrarás por la puerta de nuestra casa. Por aqu...